Apesar das dificuldades, o ano também foi marcado pela implantação de novas tecnologias, que prometem mais agilidade e segurança na realização dos fretes

A029 Retrospectiva

2017 foi um ano difícil para o setor de logística e transporte. A crise econômica dos últimos anos levou o país a regredir quase uma década, com recursos públicos equivalentes aos de 2008 em todos os seguimentos. Com investimentos insuficientes em infraestrutura e serviços, a qualidade das rodovias piorou e os custos logísticos aumentaram, refletindo em um transporte de carga mais demorado, perigoso e imprevisível. O roubo de cargas aumentou, principalmente no estado do Rio de Janeiro, onde cerca de quarenta transportadoras faliram e os preços do frete subiram.

Apesar das dificuldades, o ano também foi marcado pela implantação de novas tecnologias, que prometem mais agilidade e segurança na realização dos fretes. Além disso, o setor de transporte começa a dar sinais de recuperação e é esperado que, a partir de 2018, a movimentação de cargas aumente.

Separamos alguns dos destaques do setor neste ano, confira a seguir:

 

Serviço inédito do Mercado Livre se aproxima da Amazon

Em 2017, o Mercado Livre anunciou uma iniciativa inédita: a implementação de um marketplace que lida com o estoque dos clientes, ficando responsável por receber os produtos dos vendedores diretamente dos fornecedores, estocá-los em seu centro de distribuição e realizar o envio aos clientes através de uma transportadora parceira. A iniciativa tem o objetivo de auxiliar os vendedores mais ativos a agilizar a entrega para seus clientes, se aproximando do modelo de eficiência oferecido pela varejista Amazon.

 

Solução tecnológica promete prevenir acidentes de trânsito causados pelo sono

A empresa portuguesa Optimizer, em parceria com o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), desenvolveu um sistema que promete prevenir os acidentes de trânsito causados pelo sono e pela fadiga. Batizado como Round Trip Without Sleep, o sistema está disponível na forma de uma pulseira que monitora continuamente a temperatura corporal, o espaçamento dos batimentos cardíacos e a umidade da pele do motorista, identificando alterações nos padrões de vigília e emitindo alertas quando é preciso descansar.

O diferencial é que o aviso é emitido antes do condutor apresentar sintomas de fadiga, através da vibração da pulseira e da emissão de um sinal de alerta para um celular. É a primeira vez que esta tecnologia será aplicada ao setor de transportes.

 

Sinalização com efeito 3D

O Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) anunciou que está desenvolvendo um estudo técnico sobre a implantação de sinalização horizontal que provoca efeito tridimensional. Esse tipo de sinalização vem sendo adotado em algumas partes do mundo. Um exemplo é a Islândia, que implantou faixas de pedestres cujo traçado provoca a impressão tridimensional, como se flutuassem no ar. O objetivo é chamar a atenção dos motoristas.

Apesar dos testes, o Denatran destacou que “não há, na legislação vigente, qualquer previsão para a utilização da sinalização tridimensional, visto que esta não respeita os padrões, requisitos e princípios estabelecidos na regulamentação vigente” e que uma avaliação sobre o assunto se faz necessária, já que “não foram identificados quaisquer estudos que comprovem a eficácia e segurança da implantação desse tipo de sinalização”.

 

Primeiro caminhão 100% elétrico desenvolvido no Brasil

Neste ano, a Volkswagen apresentou o primeiro caminhão leve 100% elétrico desenvolvido no Brasil. Com o nome de e-Delivery, o veículo será voltado para entregas nos mercados da América Latina e da África e começa a rodar em testes a partir do ano que vem. A produção, em modelos de 9 a 11 toneladas, está prevista para se iniciar em 2020.

Além da Volkswagen, a Daimler e a Tesla também apostaram na fabricação de caminhões elétricos.

 

Caminhão que dispensa habilitação especial

Junto ao e-Delivery, a Volkswagen também apresentou uma nova linha de caminhões leves Delivery, com modelos de 3,5 toneladas. Chamado de Delivery Express, o caminhão pode ser dirigido por motoristas com carteira de habilitação do tipo B, a mesma exigida para guiar automóveis de passeio. Além disso, ele também pode transitar por áreas onde a circulação de caminhões é restrita, como nos grandes centros urbanos.

 

Qualidade das rodovias pioraram

Pesquisa realizada pela CNT mostrou que as rodovias brasileiras pioraram no ano de 2017, com quase dois terços do total analisado sendo classificadas como regular, ruim ou péssima. O levantamento se baseou na avaliação de 106 mil quilômetros de rodovias ao longo de um mês, com 61,8% do total recebendo avaliação negativa. De acordo com o estudo, a principal deterioração ocorreu na sinalização das estradas.

Segundo o presidente da CNT, a queda na qualidade das rodovias tem relação com os baixos investimentos em infraestrutura rodoviária, agravados com a crise econômica dos últimos anos. A pesquisa revelou ainda que a avaliação das rodovias concedidas a empresas privadas também piorou.

 

Aumento do roubo de cargas no Rio levou empresas à falência e elevou o valor do frete

O avanço de quase 25% no número de roubos de carga no Rio de Janeiro levou à falência cerca de 40 empresas de médio e pequeno porte no estado, segundo o Sindicato das Empresas de Carga e Logística do Rio (Sindicarga) e o Instituto de Segurança Pública. Com mais de um caminhão roubado por hora, os custos de logística e as vendas da indústria e do comércio foram afetados, fazendo com que os gastos com frete para o Rio tenham subido entre 30% e 35%.

Devido ao número crescente de roubos, as transportadoras passaram a adotar uma taxa de emergência no estado, que pode chegar a até 1% do valor da carga na nota fiscal, acrescido de R$ 10,00 para cada 100 kg transportados. Além dessa despesa, os gastos das transportaras também cresceram por conta de maiores exigências das seguradoras.

 

Movimentação de cargas deve se recuperar, com aumento de custos logísticos

Uma matéria publicada pela revista Exame mostrou que a indústria de alimentos e bebidas está fazendo com que o setor de transporte se recupere deste período, que é o seu mais difícil desde então. Para o próximo ano é esperado que a movimentação de cargas volte aos níveis anteriores aos da crise econômica, com um volume de produtos em circulação que deve chegar a 1,68 trilhão de toneladas por quilômetro em 2018, números iguais aos de 2014.

Apesar disso, os custos logísticos aumentaram junto à retomada da economia. Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain, os gastos das empresas brasileiras com transporte, estoque e armazenagem em 2017 serão de 40 bilhões de reais a mais do que em 2016. Ainda que a previsão seja a de que movimentação pelas estradas cresça em 2018, os investimentos no setor ainda estarão 14 bilhões de reais abaixo do nível pré-crise.